Muito provavelmente você conhece alguém que já conquistou algo que sonhava por meio do tão popular consórcio. Mas, apesar de ser muito conhecido, o consórcio ainda gera muitas dúvidas e até mesmo desconfianças. Afinal, o que é um consórcio? Como funciona? Posso fazer um consórcio de carros usados? E para comprar uma casa?

É com o intuito de responder esses e outros questionamentos que fizemos esse post, então se prepare para esclarecer de uma vez por todas suas dúvidas sobre consórcios.

O que é consórcio?

Um consórcio trata-se da união de pessoas com um objetivo em comum que se reúnem para poupar em grupo. Algo muito interessante sobre o consórcio é que, apesar de muitos sequer imaginarem, é uma invenção brasileira, que aos poucos foi se espalhando pelo mundo.

O consórcio costuma ser uma alternativa muito utilizada por aqueles que possuem dificuldades em poupar, pois você vai pagando pelos bens desejados antes de usufruí-los. Nessa modalidade é criada uma poupança em comum entre os membros do consórcio em questão, que vão sendo contemplados através de sorteio. Vale enfatizar que o sorteio só é realizado para definir a ordem de contemplação de cada integrante do grupo, pois todos serão recompensados.

  • Quais os tipos de consórcio?

O consórcio surgiu na década de 60, uma época em que — apesar da expansão da industrialização — a oferta de crédito para o consumidor era muito baixa. Colocada em prática por funcionários do Banco do Brasil, o primeiro consórcio ocorreu em Brasília e reuniu um grupo de pessoas dispostas a adquirir veículos automotores leves.

Os consórcios para aquisição de automóveis permanecem muito populares até os dias de hoje, mas aos poucos essa modalidade foi se expandindo para a aquisição de imóveis e veículos automotores pesados. Atualmente existem consórcios para os mais variados bens e serviços que você possa desejar adquirir, incluindo eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

Como funciona o consórcio?

Apesar de parecer complexo, o consórcio é consideravelmente simples. Para a existência de um consórcio, é preciso que exista um grupo de pessoas interessadas em adquirir o mesmo tipo de bem. Por exemplo: se você quer adquirir um automóvel, ingressará em um consórcio com pessoas que visam o mesmo objetivo. O modelo e valor dos veículos não precisa ser o mesmo para todos, pois as parcelas serão proporcionais de acordo com o valor do carro que você pretende adquirir.

  • Quanto custa um consórcio?

Uma das promessas que mais atraem clientes para a modalidade do consórcio é a que estarão pagando mais barato, pois, ao contrário do financiamento, no consórcio não são cobrados juros. Mas será que é tão vantajoso mesmo?

A resposta para essa pergunta depende muito de cada caso e do tempo que você levará para quitar o consórcio. De fato não existem juros sob consórcios, mas existe algo chamado taxa de administração que é paga para a administradora do consórcio. O problema é que as administradoras são livres para estipular as taxas que bem entenderem, por isso é essencial muita pesquisa para contratar o consórcio com a taxa mais em conta.

Outro ponto muito importante ao contratar um consórcio — especialmente nos imobiliários, serviços e bens duráveis — é que a maioria das administradoras estipulam em contrato um aumento anual das parcelas do consórcio de acordo com a inflação. Tal reajuste pode encarecer muito seu consórcio, especialmente aqueles que levarão mais tempo para serem quitados. Para bens móveis, como automóveis, veículos leves ou pesados, as administradoras costumam utilizar a tabela FIPE para tal reajuste.

Além da taxa de administração e dos reajustes anuais, na sua parcela estarão incluídas as contribuições para o fundo comum (destinado a aquisição do bem desejado) e para o fundo de reserva (destinado a cobrir perdas e inadimplências que possam ocorrer no decorrer do consórcio).

Como no financiamento, no consórcio você também precisará de um seguro de vida. Mas vale ressaltar que você não precisa necessariamente contratar o seguro oferecido pela administradora do consórcio, podendo optar por outro de sua escolha.

Algumas administradoras podem cobrar outros encargos além dos que acabamos de citar, então muita atenção na hora de assinar o contrato (inclusive para as letras miúdas).

  • Quais os prazos de um consórcio?

Os prazos de um consórcio podem variar por alguns fatores:

  • Quantidade de pessoas que estão no grupo;
  • Quantidade de parcelas;
  • Valor dos bens a serem adquiridos.

Existem consórcios de automóveis que duram mais de oito anos e de imóveis que ultrapassam a marca dos quinze anos.

Por isso é tão importante se atentar quanto o valor das parcelas, pois, quanto maior a duração do consórcio, mais reajustes serão repassados ao contratante de acordo com a inflação ou tabela FIPE de cada ano. Dependendo do caso, tais reajustes podem tornar o consórcio mais caro que o financiamento comum, modalidade em que, ao contrário do consórcio, você paga por algo que já está usufruindo.

Claro que não é possível prever qual será o índice de inflação dos próximos quinze anos, mas você pode traçar uma média com base na inflação dos anos anteriores para, pelo menos, ter uma base do valor bruto que terá pago ao término do consórcio. Sempre é melhor se informar do que se arrepender lá na frente, não é mesmo?

  • Como funciona o sistema de premiação de consórcio?

Se você estiver precisando de um carro, casa, ou quaisquer outros bens que pode adquirir através de um consórcio para utilizar agora, talvez essa modalidade não seja para você. Como adiantamos no início deste texto, os participantes do grupo de um consórcio são contemplados por meio de sorteios mensais.

É fato que todos serão premiados no decorrer do consórcio, mas você pode esperar quinze anos para finalmente conseguir sua casa? Esse é o exemplo de um caso extremo, mas que pode acontecer. Fato é que alguém será o último a ser contemplado e nem sempre é bom contarmos com a sorte.

Portanto, mais uma vez: é imprescindível refletir antes de optar por essa modalidade.

  • Como funciona o sistema de sorteio de consórcio?

Você já sabe que a definição da ordem de contemplação de um consórcio é definida através de sorteios, mas é aquele tipo de pessoa desconfiada? Relaxa, pois isso é natural (afinal estamos falando do seu dinheiro) e você não está só. É exatamente por isso que existem as assembleias.

É nas assembleias que ocorrem os sorteios mensais que citamos anteriormente. Elas são realizadas com todos os membros daquele grupo de consorciados, mas só tem direito a participar do sorteio aqueles que estão com os pagamentos em dia. As assembleias nada mais são que um recurso para deixar tudo claro e impedir que alguém se sinta lesado.

Após ingressar em um consórcio, contar com a sorte é a única forma de usufruir logo do bem que você está pagando, correto? Errado! Prepare-se para conhecer o sistema de lances, feito para aqueles que detestam esperar.

  • Como funciona o sistema de lances no consórcio?

Tá com pressa para adquirir seu bem, mas a sorte não colaborou? Não tem problema, pois, além do sorteio mensal, você pode adiantar um valor para o fundo do consórcio através de um lance. Caso o fundo já tenha grana suficiente para comprar mais de um bem, os maiores lances vão sendo contemplados e você consegue “furar fila”. O valor do lance só é recolhido caso você seja contemplado e é abatido das suas mensalidades futuras.

Mas é importante se prevenir das falsas promessas que alguns vendedores podem fazer para te convencer a fechar negócio com a administradora do consórcio. Muitos prometem que as pessoas que estão naquele grupo possuem pouco dinheiro e será muito fácil adiantar aquilo que deseja adquirir com um lance baixo. Isso é conversa e, se não está em contrato, você não está amparado judicialmente o que torna difícil e desgastante provar que isso lhe foi prometido.

No sistema de lances livres, você pode adiantar o valor que bem entender e torcer para ser o maior lance, enquanto no sistema de lances fixos, o valor mínimo é estipulado pela administradora, algo que geralmente fica entre 20% e 25% do valor total da carta de crédito.

Posso fazer consórcio de carros usados?

A resposta é sim, você pode utilizar e deve saber como funciona a carta de crédito de um consórcio para adquirir um carro usado, no entanto existem alguns detalhes importantes a se observar antes de optar por essa alternativa.

Ao contrário dos imóveis que costumam valorizar, carros tendem a desvalorizar, por isso a administradora costuma fazer algumas exigências preventivas. Uma das recomendações mais frequentes é de que o carro tenha no máximo 05 anos de uso. Passando disso, o valor do bem precisa ser maior que o saldo devedor da cota de acordo com porcentagens estipuladas pela administradora. Quanto maior o tempo de uso do veículo, maior será a porcentagem mínima exigida.

Consórcio ou financiamento?

Essa é uma decisão importante, da qual a resposta dependerá das suas necessidades. É verdade que, ao contrário do financiamento, no consórcio você não paga juros, mas paga pela taxa de administração, arca com os reajustes anuais nas parcelas e demais encargos. No final das contas, se não pesquisar muito pode acabar pagando mais em um consórcio do que em um financiamento.

No financiamento você paga os juros, mas em compensação já passa a usufruir do bem que deseja, sem a necessidade de ficar acompanhando mensalmente sorteios ou precisar dar lances. Pode acabar sendo uma opção muito mais prática.

Cada uma das modalidades oferece vantagens e desvantagens, por isso é importante pesquisar, colocar suas necessidades e todos esses pontos na balança antes de tomar qualquer decisão.

Fato é que nenhum dos dois é investimento, portanto, se não há pressa para obter aquele bem, colocar seu dinheiro para trabalhar por você sempre é a melhor alternativa. Claro que é preciso determinação e disciplina para colocar isso em prática, mas no final vale a pena.

O que é carta de crédito?

A carta de crédito, também conhecida como carta de consórcio, nada mais é do que valor que o consorciado contratou no início, que poderá ser utilizado para a aquisição do bem desejado.

Conforme abordado nos tópicos anteriores, você poderá obter a carta de crédito através dos sorteios mensais realizados nas assembleias ou através de um lance.

Apesar de óbvio, vale enfatizar que, mesmo que você seja um dos primeiros contemplados, deverá cumprir rigorosamente com as mensalidades até o término do consórcio, afinal se trata de uma poupança conjunta e os demais membros do consórcio também precisam adquirir o bem pelo qual pagaram. Caso contrário, você enfrentará problemas judiciais.

Quem pode vender um consórcio?

No Brasil, o Banco Central é o órgão responsável pela autorização, supervisão e controle das atividades do sistema de consórcios. A pessoa jurídica que visa ser uma administradora de consórcios, deve ter sua atividade econômica principal voltada à administração de grupos de consórcio e estar de acordo com a legislação vigente. Mesmo com tamanha fiscalização e exigências para as administradoras, vale a pena pesquisar o histórico antes de fechar negócio.

Além das administradoras, você mesmo pode vender uma cota de um consórcio que contratou. A venda pode ser tanto para uma pessoa, quanto para uma empresa. Você pode vender inclusive para alguém que já esteja no grupo, desde que com a aquisição de sua cota a pessoa em questão não chegue a 10% do total de cotas do grupo. O único problema aqui é o temido deságio, pois o fato de você ter uma carta de crédito no valor de cem mil reais, não quer dizer que você necessariamente conseguirá vendê-la por esse valor.

E se você chegou até aqui, já sabe as vantagens, desvantagens, como funciona e se o consórcio é ou não um bom negócio para você. Boa sorte na realização dos seus sonhos.

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