O diploma do ensino superior é um dos grandes sonhos dos jovens brasileiros, porém o alto valor das mensalidade pode frustrar as expectativas de quem está planejando ingressar em uma universidade. Mas você já parou para pensar como seria estudar sem precisar mexer no bolso por agora e de quebra só começar a pagar pelo curso que escolheu quando já estiver formado e pronto para exercer sua nova profissão? Parece utópico, mas não é. Então se liga que neste post iremos te apresentar o que é FIES, o tão famoso financiamento estudantil.

O que é o FIES?

O Fundo de Financiamento Estudantil, mais conhecido pela sigla FIES, é um programa do Ministério da Educação que visa financiar a graduação de estudantes matriculados em cursos de educação superior privados que tenham conceito positivo perante os critérios de avaliação do MEC.

Quem criou o FIES?

O FIES, criado em 1999 durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é o sucessor do extinto Programa de Crédito Educativo (CREDUC), que havia sido estabelecido em 1975, durante o governo de Ernesto Geisel, na ditadura militar.

Durante os governos que sucederam, o Fundo de Financiamento Estudantil passou por algumas modificações, que permitiram que mais pessoas aderissem ao programa, tornando-o ainda mais conhecido pela população.

Em 2010, por exemplo, já no segundo mandato do ex-presidente Lula, o FIES passou por uma grande reformulação: 

  • A taxa de juros de financiamento caiu de 6,5% a.a para 3,4% a.a;
  • Estabeleceu-se um prazo de carência para início do pagamento de 18 meses após a conclusão do curso;
  • Prazo para amortização da dívida passou a ser de até 3 vezes o período regular do curso + 12 meses (Exemplo: cursos com duração de 05 anos, passaram a contar com prazo de 16 anos para quitação da dívida com a União);
  • O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) passou a ser o Agente Operador do programa, que também permitiu que financiamentos de até 100% fossem concedidos e que os estudantes entrassem com o pedido para tal em qualquer período do ano.

Tais mudanças desencadearam uma onda gigante de solicitações de financiamento, que saltou de modestos 73.017 novos contratos em 2010 para 690.588 em 2014, de acordo com dados do próprio Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, obtidos via Lei de Acesso à Informação. 

Com números tão expressivos de adoção ao programa, em 2015, durante o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, medidas de contenção foram aplicadas visando a sustentabilidade do FIES:

  • A taxa de juros voltou ao patamar anterior de 6,5% a.a;
  • Mudanças nos critérios de concessão do financiamento foram aplicadas; 
  • Para os novos financiamentos, passou-se a exigir que o solicitante alcançasse uma nota mínima de 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e não zerasse na redação.

Em 2018, já no governo do ex-presidente Michel Temer, mais mudanças foram aplicadas ao FIES, transformando-o no “Novo FIES” e dividindo-o em duas modalidades: FIES (onde não é mais cobrado taxa de juros) e P-Fies, em que o empréstimo é feito junto a um banco privado. Ou seja, quem consegue o P-FIES têm mais chances de conseguir um crédito estudantil para pagar a faculdade.

Quem pode usar o FIES?

Pode se inscrever no processo seletivo do FIES candidatos que tenham participado do ENEM, a partir da edição de 2010, que tenham obtido média superior a 450 pontos e não tenham zerado na redação.

Para se inscrever na modalidade FIES, que conta com número limitado de vagas, o candidato deve ter renda familiar bruta, por pessoa, de até três salários mínimos. Enquanto que para concorrer na modalidade P-Fies, o candidato deve comprovar renda familiar bruta de três até cinco salários mínimos por pessoa. 

Como funciona o pagamento do FIES durante e pós a faculdade?

Com o novo FIES, extinguiu-se o prazo de carência, sendo assim o pagamento do financiamento se iniciará a partir do primeiro mês após a conclusão do curso, desde que o usuário possua renda. 

Quando o contratante obtiver renda, o valor da parcela será abatido mensalmente direto na fonte. No caso do contratante não conseguir emprego ou até mesmo perdê-lo durante o prazo de quitação da dívida, o financiamento será quitado em prestações mensais equivalentes ao pagamento mínimo, previsto pelo Comitê Gestor do FIES.

Como se inscrever no FIES?

As inscrições para o FIES ocorrem em duas janelas durante o ano, nos meses de fevereiro e julho, por isso é imprescindível manter-se atento aos prazos. Abertas as inscrições, basta acessar o site do programa, clicar em “Minha Inscrição” e posteriormente em “Primeiro Acesso”.

Após o preenchimento de seus dados e havendo registros de participações no ENEM, você precisará definir uma senha e inserir um endereço de email válido, que será utilizado para validar o cadastro.

Após a conclusão do cadastro e ativação (que deverá ser feita através do link enviado para o email informado), basta fazer o login na opção “Já sou cadastrado”, onde será preciso informar o CPF e a senha que acabou de ser criada.

Após essa etapa, será necessário o preenchimento dos dados do grupo familiar e suas respectivas rendas, na aba “Grupo Familiar”.

Para concluir a inscrição, basta selecionar um grupo de preferência (FIES ou P-Fies) e escolher 03 opções de cursos de seu interesse, dentre aqueles que estão disponíveis. 

Quais são as faculdades que aceitam o FIES?

Para cada processo, um novo edital é publicado, onde são atualizadas as ofertas de cursos e instituições de ensino participantes, que precisam estar de acordo com todos os critérios estabelecidos pelo MEC.

A lista de cursos e instituições de ensino privadas que aceitam o FIES é grande, no entanto só é possível consultar tais informações através da página de inscrição do participante. Mas não se preocupe, grandes universidades privadas como Mackenzie, PUC, Anhembi Morumbi, FMU, São Judas, Cruzeiro do Sul, Univove, UNIP, Estácio e Anhanguera costumam participar do programa, disponibilizando vagas para diversos cursos ofertados pelas mesmas.

Quanto custa o FIES?

Falar de quanto custa o FIES é uma questão um pouco complexa, pois tudo vai depender do curso que você escolheu, da instituição de ensino, da modalidade na qual você integrará o programa (FIES = sem juros | PFies = com juros) e das instituições financeiras que você recorrerá para solicitar o financiamento e seguro de vida (sim, como em todo financiamento a longo prazo, você precisará de um).

Além do seguro de vida, também é necessário um pagamento mensal para a instituição financeira referente ao encargo operacional, que é fixado em contrato. Levando esses itens em conta, é interessante conversar diretamente com os bancos para simular e colocar na ponta do lápis o valor real que o financiamento te custará no decorrer dos anos. Bancos diferentes, valores diferentes, então sempre vale a pena dar aquela pesquisada.

Como gerar o boleto do FIES?

Para aqueles que ingressaram no programa antes do “Novo FIES”, é possível emitir a 2ª via no boleto diretamente no site da Caixa (único banco que concedia o financiamento). Para isso, basta acessar o site da Caixa, clicar na aba “Benefícios e Programas” – “FIES” – “Boletos” – “Emissão de Boletos”.

Quais os juros do FIES?

Conforme informado nos tópicos anteriores, desde a promulgação do “Novo FIES”, não existe mais juros para essa modalidade. Já para o PFies, a taxa de juros irá variar de acordo com o banco no qual você irá realizar o financiamento. Por isso, vale a pena ficar atento e pesquisar para não acabar pagando mais lá na frente.

Quais outros programas de financiamento podem ser alternativas ao FIES?

Apesar de ser o mais popular, existem alternativas caso você não consiga ou não se enquadre nos critérios estabelecidos pelo FIES. Financiamentos oferecidos pelas próprias universidades, bancos ou empresas especializadas nesse tipo de empréstimo (como Pravaler e Fundacred) podem ser alternativas, mas aqui também vale se atentar aos juros, que podem ser altos.

Se você chegou até aqui, já sabe como funciona o FIES, sua história, o que mudou nos últimos anos, como se inscrever e até mesmo alternativas para o financiamento estudantil mais popular do Brasil. Agora é arregaçar as mangas e se preparar para começar a estudar. Boa sorte!

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